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maio 16, 2010

Charles Darwin está em crise no filme 'Criação'

 Produção foca no cientista em crise quando próximo a liderar uma revolução de ideias


É surpreendente como um filme que busca retratar um grande cientista e que promoveu uma revolução no mundo com a bem delineada teoria da evolução, pode ser deixado de lado por religiosos que até hoje, além de não aceitarem - não precisam claro -, ainda de forma preconceituosa ignoram o filme sem darem uma chance a ele. Criação, do diretor Jon Amiel que tem no currículo filme mais famoso o mediano Núcleo - Missão ao centro da Terra, é um filme sobre um cientista que poderia ser qualquer um, no momento antecedente de tomar uma grande decisão. Não funciona - infelizmente - como uma biografia, e sim um recorte, um fragmento de sua vida. Os fundamentalistas religiosos da direita americana que provocaram de certa forma o fracasso do filme, poderiam ter percebido isso antes de pré julga-lo.

Se o filme não funcionou bem como biografia, ao retratar um drama familiar ele consegue vingar. Na história, Darwin (Paul Bettany) ganha apoio de outros estudiosos sobre sua teoria evolucionista, e logo entra em um grande dilema se deve ou não publica-lo, já que tem arquivado toda a pesquisa, mais do que os outros. O maior problema em publicar ou não está nas consequências da teoria, que elimina qualquer vestígio da teoria da criação e teoricamente "mata" Deus. O maior debate acontece dentro da própria casa, quando a esposa (interpretada pela ótima Jennifer Connely - e também esposa na vida real), bem religiosa e questiona a forma que ele leva para frente as ideias, passando por cima da própria família e bem cético sobre o cristianismo. Porém, o maior obstáculo que o faz ficar confuso, é literalemte, o fantasma da falecida filha que aparece para ele querendo mostrar-lhe algo. Ela sempre foi a sua favorita por aceitar as teorias e inclusive defende-las quando necessário. A morte dela reflete nele uma culpa grande, pois foi dele a responsabilidade de escolheu as formas do tratamento quando ela ficou doente.

O filme até consegue envolver quando expõe os sentimentos do cientista e pai, que precisa exorcizar os temores e seguir adiante com seus ideias, porém, peca na falta de aprofundamento de outras questões que sem dúvidas são de interesse de quem quer conhecer melhor a história de Darwin. Mesmo os debates sobre fé, religião e ciência são pouco levados em conta, apesar da riqueza de personagens com pensamentos opostos. O que é deixado meio de lado também, são as aventuras do curioso homem, que sempre viajou pelo mundo em busca de diferentes espécies para comprovar a teoria. Claro que, isso é comentado no filme, mas o foco é tão grande no drama, que essas passagens chegam apenas em forma de lembranças.

Criação, pode não ser um filme que chegue aos pés da real vida do personagem, mas o elenco, figurino, fotografia, ou seja, a parte técnica em geral, e o foco dado no roteiro, não deixam o filme ser apenas mais um e diluir o fascínio pelo personagem histórico. Filmes assim são bons, recortam uma faceta pouco explorada e que são diferentes dos livros de história. Para lembrar uns no mesmo estilo, pode-se citar Maria Antonieta de Sofia Coppola que conta apenas a vida dela como rainha até a sua queda e O Segredo de Beethoven de Agnieszka Holland focado na relação do excêntrico músico e sua pupila Anna Holtz. Ambos não foram grandes sucessos de crítica e público, mas nem por isso deixam de serem boas obras. Darwin merece sim um filme maior e que retrate com dignidade sua vida, mas o problema é se o público irá continuar com esses paradigmas mesmo tantos anos depois de sua morte. O pobre cientista deve está se revirando no túmulo com tanta ignorância religiosa.

Criação
Creation
Reino Unido , 2009 - 108 min
Drama 
Direção: Jon Amiel
Roteiro: John Collee
Elenco: Paul Bettany, Jennifer Connelly, Jeremy Northam, Toby Jones, Benedict Cumberbatch, Jim Carter


Trailer:

Um comentário:

  1. Nossaa, fiquei interessada nesse filme. Nunca imaginei que fariam um filme sobre a vida de Darwin.

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