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maio 25, 2012

'Homeland' leva paranoia americana sobre terrorismo à TV

Série finalizou excelente temporada no Brasil no último domingo



Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 até hoje ainda causam desdobramentos na cultura ocidental. Tais acontecimentos que passam desde a Guerra do Iraque, a morte do ditador Saddam Hussein, a descoberta de mentiras sobre aliamentos e bombas nucleares usadas para justificar a possível invasão no Irã e, por fim, a morte de Osama Bin Laden por tropas americanas no Paquistão em 2011. O cinema se aproveitou  dessas temáticas chegando ao auge ao premiar o longa Guerra ao Terror com o Oscar de Melhor Filme em 2010. Na TV, poucos foram o sucessos sendo que o mais popular foi a figura de Jack Bauer contra terroristas na série 24 Horas. Porém, uma nova trama agora resgata a temática e consegue um sucesso regular de audiência, além, da aclamação por parte da crítica chegando a levar o Globo de Ouro de Melhor série dramática já na sua primeira temporada. Trata-se de Homeland.


Quando foi comentado aqui sobre a estreia do seriado, certamente não esperava no que vinha a seguir. E pelos episódios é possível relacionar os conceitos trabalhados na série e como vivem os Estados Unidos e outros países ocidentais tamanho são dominados pelo medo. Aqui são tratados de uma maneira menor, utilizando personagens e suas ações. Vigilância, paranoia, violência e medo. Depois do rumor de que um fuzileiro possa ter sido convertido ao terrorismo, Carrie Mathison (Claire Danes), uma agente da CIA começa a ficar obcecada em descobrir quem é. Porém, apesar de boa observadora, Carrie tem problemas psiquiátricos que a fazem ultrapassar os limites de sua sanidade mental para a realidade de forma agressiva. O curioso aqui, é que ela nunca perdeu a razão, no entanto, o medo do terrorismo é tanto que a paranoia excessiva é tratada meramente como loucura.


Por outro lado está Nicholas Brody (Damian Lewis), fuzileiro resgatado após ser mantido prisioneiro pela Al-Qaeda por oito anos. No decorrer da trama o espectador é aos poucos levados à verdade: ele foi mesmo convertido e as motivações partiram de princípios não só religiosos e nada tem a ver com o ódio ao seu país, mas sim pela realidade que ele viu do outro lado da moeda enquanto esteve prisioneiro. O problema é que Brody, por sua vez, é tratado como herói quando desembarca nos Estados Unidos e isso certamente se torna seu maior disfarce. 


O jogo de gato e rato entre Carrie e Brody começa com ela instalando câmeras na casa dele e aos poucos se torna pessoal e cada vez mais tenso à medida da evolução da trama. E de forma espetacular a verdade vai entrando num caminho que mais lembra um labirinto - mostrado de forma categórica e literal na abertura da trama. Carrie, sozinha e sem vida pessoal (como é mostrado outros agentes), sempre está na sombra de descobrir tudo, mas sua paranoia e seu estado mental ofuscam sua mente brilhante. Brody passa por seus traumas de forma gradual e aos poucos vai mostrando suas intenções sem levantar suspeitas - só as dela.


O roteiro imprevisível e que trata de uma trama tão espinhosa é genial e que não se vê há um bom tempo na TV norte-americana. Segura a tensão, contorna a opinião do espectador e manipula como uma grande orquestra a emoção de quem assiste. É triste a situação de Carrie, mas impossível não perceber o como ela é vítima dos próprios erros de seus arrogantes superiores. Mas no império construído por ações falsas e baseadas em mentiras por anos e anos, as consequências não são sentidas diretamente pelo líderes, mas por todos mais fracos ao redor, e não falo de bombas, mas pelo medo e paranoia que passa ser a maior companhia de qualquer norte-americano nos dias de hoje. Carrie mesmo dentro de seu país é como, com perdão do trocadilho, Alice em Wonderland, perdida, manipulada... paranoica.