junho 04, 2012

'Branca de Neve e o Caçador' cumpre bem sua função

Modernização é uma das melhores até agora




Existe na indústria cinematográfica um lema que não é segredo pra ninguém: fez sucesso, copia o estilo. Quando o caso não consegue se resolver como uma simples continuação, aproveite uma história parecida e recrie visualmente um novo produto com caraterísticas semelhantes. O tal lema foi seguido à risca nos últimos anos com uma permanente crise criativa que atingiu o mercado de filmes. E como não bastasse a onda de super heróis, agora os contos de fadas ganham novas versões impulsionada pelo sucesso de Alice no País das Maravilhas de Tim Burton em 2010.

Mas de tempos são lançados história baseadas em fábulas e que tentam o sucesso, sem chegar perto. O mais notável veio com a trilogia Senhor dos Anéis que redefiniu como contar uma história medieval e fantasiosa, e não é a toa que serviu de inspiração para o já citado Alice e agora e Branca de Neve e o Caçador (EUA, 2012) - as mocinhas vestem armadura e vão à luta. A fórmula é basicamente a mesma: contar uma história de uma forma levemente diferente, mais sombria, abusando de efeitos visuais, com atores da moda e pequenas alterações na lógica, afinal, os tempos são outros...

Nessa regra, Branca de Neve e o Caçador não apenas seguiu à risca o que foi utilizado no longa de Tim Burton, como ainda consertou vários problemas que fizeram a qualidade do filme de 2010 cair consideravelmente. Pra começar, existe um olhar realista na história de reinos, da qual, a jovem Branca de Neve tem por direito revindicá-lo, mas agora vive presa após a tomada do reino e a morte de seu pai. Seja o cenário que não é revestido por chroma key e substituído por imagens animadas e uma abordagem mais próxima de um mundo medieval. Outro ponto forte é no roteiro que não subestima o espectador. As regras mudaram e ainda é possível se surpreender com as pequenas, porém, eficientes, reviravoltas na história. Muda-se o príncipe, sai a velhinha com a maçã envenenada e dá uma alma para a Rainha, como nunca explorado antes. 

Os efeitos visuais ainda estão ali. Exagerados por determinados momentos, mas que ainda assim são equilibrados e nem de longe lembra filmes pesados como A Múmia e Van Helsing, ou filmes de sucesso mais recentes como Fúria de Titãs, que soam artificiais, banalizados, e sem causar comoção. As atuações por sua vez são cativantes, desde a oscarizada Charlize Theron que consegue ser repugnante, porém, com classe e sofisticação, até atores iniciantes, mas carismáticos que não comprometem o longa, o caso de Kristen Stewart (com sua beleza rebelde, muitas vezes incompreendida) e Chris Hemsworth.

Como entretenimento fácil e direto ao assunto, Branca de Neve e o Caçador se sai como uma das melhores produções dos últimos tempos, passando longe de produtos de qualidade duvidosa como A Garota da Capa Vermelha ou Espelho, Espelho Meu. E o melhor, apresentando o mundo maravilhoso que era esperado em Alice, mas por algum motivo a coisa não deu certo. Mas graças o lema da grande fábrica de dinheiro que é Hollywood, ainda tem cabeças ali buscando qualidade e melhorar referências de sucesso, mas que são ruins.


Trailer: