dezembro 23, 2012

Crítica: 'O Impossível' faz retrato emocional de tragédia

Longa mostra destruição de tsunami sem apelar



Uma das maiores catástrofes naturais dos últimos tempos que ocorreu em 26 de Dezembro, há oito anos, demorou ganhar um filme sobre. Provavelmente porque as imagens feitas por turistas nas região, denunciavam todo o terror do tsunami que atingiu a região da Indonésia, dando uma real noção do absurdo que foi presenciar tal evento - e ainda estão vivas na memória. O longa O Impossível (The Impossible, 2012) tem como base a tragédia, mas foca em uma família sobrevivente.

O filme conta a história de Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor), casal que foi passar férias com seus três filhos na paradisíaca região. Dois dias depois, num belo e ensolarado momento, eles estão na piscina celebrando a vida, até que sem qualquer aviso, ondas gigantes chegam com força do mar - que está bem próximo dali. Sem tempo para qualquer tipo de reação, eles são tragados pelas ondas e, a partir daí, suas vidas viram um pesadelo.

Se apoiando em um fato verídico, o maior trunfo do filme é utilizar tal informação para condensar situações que poderiam ser taxadas como meramente absurdas e mentirosas, e impressionar. Até o título do filme faz alusão à isso. Uma manobra certeira, já que Hollywood ainda não havia buscado uma forma de tratar o tema em um grande filme desastre - o mais próximo disso foi em Além da Vida (Hereafter, 2010) e em outra vertente, não causado por um terremoto, em O Dia Depois de Amanhã (The Day After Tomorrow, 2004).

Com uma visão criativa do diretor espanhol Juan Antonio Bayona, que tem no currículo o acima da média O Orfanato (El Orfanato, 2008), o drama ganha contornos se apoiando na emoção e chocando com uma realidade impressionante - por vezes a sensação é estar assistindo um documentário. Os efeitos visuais, que reconstroem o acontecimento são incríveis e passam uma naturalidade desconcertante. Assim como a maquiagem e as locações. Sem apelar para exageros, o longa não dá um passo fora de seu foco nos protagonistas. O desencontro da família, o estado físico, o drama com alguns sobreviventes ao redor - tudo é contado de forma linear, criando novas emoções com reencontros e união entre desconhecidos - como a cena em que emprestam o celular ao patriarca da família - tudo é milimetricamente bem contado como de praxe no gênero.

Sem cansar, o roteiro ainda guarda um belo flashback de um dos momentos cruciais sobre a personagem de Naomi Watts - que inclusive rouba a cena - editada em câmera lenta e acompanhada de uma trilha sonora dramática. São esses pontos que fazem de O Impossível um bom filme, quando a intenção não é nem criticar um país desolado numa tragédia, mas sim retratar uma bela história de sobreviventes, um caso que pode ser mesmo chamado de "impossível", afinal, milhares de vidas foram perdidas. Além disso, o longa guarda uma mensagem sobre união, otimismo, compaixão, ternura e quebra de preconceitos - incrível a cena em que a mãe é resgatada e cuidada por moradores locais. Uma produção eficiente e esforçada, mas que não chega a ser tão memorável quanto as imagens originais, entretanto, serve para se conhecer exemplos de vidas que passaram, literalmente, por águas conturbadas - renascendo de novo, como o próprio flashback quer dizer.

Trailer:



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