novembro 14, 2012

Crítica: 'Argo' presta homenagem e garante bom suspense

Terceiro trabalho de Ben Affleck como diretor mantém o bom nível


O cinema de ficção científica, desde seus primórdios, sempre trouxe além de um bom entretenimento, um contexto subjetivo articulando reflexões, críticas e acima de tudo um vislumbre de sociedades diferentes das nossas. Em "Argo", o filme de mentira que dá nome ao novo filme de Ben Affleck, traz uma história que claramente serve como plano de fundo da realidade que é contada na história principal - esta, baseada em fatos reais. Troca-se o mundo paralelo e se insere um Irã caótico que passa por golpe de estado e o fundamentalismo religioso.

O longa começa em 4 de Novembro de 1979 quando a embaixada norte-americana é tomada de assalto por um grupo revolucionário iraniano no Teerã, Irã. São feitos cinquenta e dois reféns, sendo que seis conseguem fugir e são acolhidos na casa do embaixador canadense. Esses seis tornam-se procurados, enquanto a milicianos locais buscam suas identidades. O plano para salvá-los tem como cabeça Tony Mendez (Affleck), um agente especialista em fugas que arquiteta um plano arriscado para os tirar do país. A ideia acaba sendo realizar de forma fictícia a produção de um filme sci fi, da qual, as locações perfeitas são no Irã. Desta forma Tony leva os documentos necessários para tirá-los de lá, como se tivessem ido juntos com ele e agora estão voltando. A ousada ideia ainda passa por dificuldades causadas com pequenos incidentes e a necessidade de aperfeiçoamentos dos fugitivos com novas identidades.

Depois de duas experiências bem sucedidas na direção, Medo da Verdade (Gone Baby Gone, 2007) e Atração Perigosa (The Town, 2010), Affleck se vê novamente liderando um ótimo roteiro, uma trama bem elaborada, razoavelmente bem dirigida - não há grande ousadia em seu estilo -, e até atuando em bom tom. Aproveita a situação real para homenagear o velho cinema e o estilo de uma época, principalmente nas cenas que servem como alívio cômico da história com Alan Arkin e John Goodman - um como um veterano produtor e o outro é nada mais que o mestre de maquiagem em Hollywood, John Chambers, respectivamente.

Argo como ponto negativo, tem na humanização dos personagens - o próprio protagonista que limita ser mostrado como o maior clichê de filmes de ação e suspense: o pai e marido ausente obcecado pelo trabalho. Os coadjuvantes são bem trabalhados, algo que não se é muito difícil quando se tem, para citar alguns, Bryan Cranston e Kyle Chandler nos papéis - ambos premiados pelas séries Breaking Bad e Friday Night Lights. Entretanto os pontos positivos são tantos que resultam num bom thriller, sem ser completamente politizado e passa por gêneros diversos sem cansar.

Começa contando a história do Irã de forma estilizada, original e termina com imagens de brinquedos de personagens de Star Wars e cia, finalizando com uma storyboard de "Argo", a embarcação da mitologia grega que foi criada por Atenas para libertar Jasão. Nada melhor do que intercalar a realidade dura da falta de liberdade de uma região como o Irã naqueles tempos, fazendo paralelo o lado da ficção científica e suas variadas histórias de reinos em mundos corrompidos e a população presa em ditaduras e guerras. E por sinal, histórias paralelas muito bem contadas nesse bom filme.

Trailer: